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Postado em 10/09/2013 por Ricardo Brusch

 

Minha esposa e eu sempre ficávamos abismados com a intolerância existente no ser humano. Presenciávamos quase que diariamente cenas horríveis ao observar discretamente o apartamento vizinho pela janela de nossa sala. Qualquer coisa mínima já se tornava um motivo para aquele homem surpreender sua mulher com socos, tapas e pontapés. Não compreendia o por quê dos gritos de dor de ecoavam pelo condomínio até iniciar esta sutil observação. Cheguei inclusive a denunciar o fato à polícia, que me retornou informando que abordaram o casal em seu apartamento e não obtiveram nada que comprovasse o ocorrido relatado por mim.

 

A tristeza me assolava, e ainda mais à minha esposa, que assim como eu, assistia aquilo tudo de mãos atadas. Constantemente à via chorando de tristeza pelos cantos, disfarçando quando me aproximava. Tinha certeza que ela como mulher acabava se emocionando bem mais com a situação. Infelizmente, sabia que nada mais poderia fazer, a não ser aceitar os fatos e torcer para que tudo pelo menos não terminasse em uma tragédia maior.

 

Eis então que minha esposa encontrou uma maneira de diminuir aquela violência, ao mesmo tempo que entendemos a causa da mesma. Ela pegou um martelo e esfarelou o maldito espelho que tínhamos na sala de estar, exatamente aonde eu imaginava ser uma janela.

 

 

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