Pela Janela – E se a morte não fosse o final?

Postado em 06/09/2013 por Ricardo Brusch

 

Se a morte não é o fim, o que seria então? Ele existiria de verdade, ou é apenas uma ilusão passada a nós para não descobrirmos uma possível verdade absoluta onde não teríamos nada além da escuridão e nada nos restará a não ser ficar vagando, como energia, de um lado para o outro neste mundo ou em outros (se eles existirem) ?

 

Felipe se fez este questionamento enquanto estava olhando pela janela de seu apartamento, a 8 andares acima do solo. Ele questionou se, ao pular, o tempo da queda seria infinito e gelou sua espinha vertebral ao imaginar a possibilidade de sentir a agonia eterna enquanto caía. E se ao chegar ao solo a morte não lhe apresentasse sua face, e ao contrário do que desejava, apenas ficaria vivo e inválido para o resto de sua vida inútil e sem sentido? Não poderia ter certeza de nada, e talvez a única coisa que tinha certeza naquele momento é que não mais deveria pular. Por menor que fosse o desejo de viver, estava absolutamente certo que ainda preferia estar vivo à vagar eternamente pelas trevas.

 

Resolveu então sair do encosto da janela e voltar para a sala de seu apartamento, pois a cena que via dali não era nem um pouco agradável. Lá embaixo, na entrada de seu prédio, havia um homem atirado no chão, envolto à uma poça de sangue. Aparentemente ele havia se atirado, mas Felipe não tinha interesse em saber o que aconteceu. Simplesmente se sentou no chão em um canto do sala, enquanto observava a poeira acumular sobre o piso do ambiente de maneira absurdamente rápida. Era estranha a sensação que sentia agora, pois parecia finalmente ter encontrado a paz. Não sentia fome, frio, muito menos vontade de sair dali. Aquele era um bom lugar para ficar, talvez para sempre…

 

Dê sua opinião!